COMO REDIGIR UM PROJETO DE PESQUISA CIENTÍFICA

 

Prof. Dr. Antonio Sérgio Ramalho

Departamento de Genética Médica

Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP

E-mail: dgmfcm@unicamp.br

 

I.                 Características da pesquisa científica.

Sempre é útil, para quem se inicia na prática da ciência, uma reflexão sobre aquilo que se costuma considerar como científico.

A Ciência, que vem do latim Scientia, é o conjunto dos conhecimentos humanos como um todo. A pesquisa científica pretende, portanto, contribuir de forma efetiva para esse conhecimento. Assim, sendo, a qualidade de uma pesquisa científica está diretamente ligada à efetividade dessa contribuição.

Nada mais equivocado do que limitar o conceito de ciência àquilo que for matematicamente provado. É verdade que um grande avanço nas ciências da saúde tem sido conseguido com a criação de alguns procedimentos inferenciais estatísticos, específicos para alguns tipos de estudos quantitativos. Algumas vezes, no entanto, a análise qualitativa é necessária para a compreensão de alguns fenômenos. É o caso, por exemplo, do estudo das relações sociais e da análise da verbalização dos pacientes.

A pesquisa científica poderá adotar tanto o método quantitativo, quanto o método qualitativo. Algumas vezes, ambos os métodos são usados em uma pesquisa, já que eles não se opõem, mas se complementam. Nas palavras de Minayo e Sanches (1993), tanto o método quantitativo quanto o qualitativo possuem importância relativa, pois só quando os mesmos são utilizados dentro dos limites de suas especificidades é que podem dar uma contribuição efetiva para o conhecimento da realidade.

Esta breve introdução tem apenas o objetivo de alertar àqueles que se iniciam na prática da ciência, sobre a diversidade do conhecimento humano, uma vez que, embora na maioria das vezes o método estatístico seja usado na pesquisa médica, ele não define o método científico.

Já foi dito linhas atrás que a qualidade de uma pesquisa científica é medida pela efetividade da sua contribuição ao conhecimento. Tal efetividade depende, por sua vez, de algumas condições, tais como:

  1. A pesquisa deve ser conclusiva. Por isso, o ítem “CONCLUSÃO” é parte obrigatória, por exemplo, de uma tese.

A conclusão não precisa ser definitiva. Aliás, em ciência, raramente uma pesquisa encerra definitivamente um assunto. Muitas vezes, com base nos resultados de uma pesquisa, são realizadas várias outras investigações. Mas a pesquisa, para ser efetiva, deve levar a alguma conclusão irrefutável. Vamos a um exemplo: em 1988, Sonati, realizando a sua tese de mestrado na UNICAMP, se propôs a investigar a freqüência da talassemia alfa em uma população negróide brasileira, utilizando, para tanto, a análise, por eletroforese, das hemoglobinas de recém-nascidos. A conclusão a que esta autora chegou, analisando os resultados pelo prisma da Genética de Populações, foi que a metodologia laboratorial empregada (até então recomendada internacionalmente) subestimava a freqüência real da talassemia alfa, uma vez que detectava todos os homozigotos, mas apenas uma parcela dos heterozigotos (Sonati e Costa, 1990). Tal conclusão levou-a à realização de outra pesquisa, que veio a ser a sua tese de doutoramento. Empregando agora a análise direta de DNA, ela não apenas pode estimar a freqüência real da talassemia alfa em uma população negróide brasileira (cerca de 21%), como também comprovar que a metodologia eletroforética realmente detectava apenas 50% dos heterozigotos (Sonati et al., 1991).

  1. Repetibilidade da pesquisa.

É necessário, evidentemente, que outro autor, caso repita a pesquisa em condições semelhantes, também obtenha resultados semelhantes. Um exemplo: em 1976, investigando a freqüência populacional da talassemia beta entre caucasóides da região de Campinas, SP, obtivemos o resultado de 1% (Ramalho, 1976). Posteriormente, Freitas (1980) e Zago e colaboradores (1981), repetindo a mesma investigação em Porto Alegre, RS e Ribeirão Preto, SP, respectivamente, encontraram praticamente o mesmo valor. É importante lembrar que, quando examinamos amostras populacionais, obtemos estimativas da freqüência real. Entre amostras retiradas da mesma população ou de populações semelhantes, as estimativas não devem diferir significativamente entre si, quando comparadas por métodos estatísticos.

  1. Originalidade da pesquisa.

Não faz sentido, evidentemente, buscar um “conhecimento” que já se conhece. Tal originalidade, no entanto, pode ser absoluta ou relativa. Ela é absoluta quando se descreve o totalmente novo. Muitas pesquisas, no entanto, têm uma originalidade relativa, o que não diminui o seu mérito científico. No caso da investigação da freqüência populacional da talassemia beta, mencionada no ítem anterior, embora ela já tivesse sido realizada em vários outros países, ela nunca havia sido pesquisada em uma população brasileira dando início a um programa de saúde pública de grande utilidade.

  1. Emprego de metodologia adequada.

Uma falha metodológica poderá comprometer definitivamente o valor científico de uma pesquisa. Um exemplo: em 1981, um autor cujo nome não será citado por razões óbvias, investigou a freqüência de hematúria (presença de grande quantidade de hemácias na urina) em uma amostra de pacientes brasileiros com a anemia falciforme, analisando fichas clínicas de um hospital. Tais registros clínicos haviam sido realizados por vários profissionais diferentes, em um período de mais de dez anos. O valor encontrado foi 8%. Posteriormente, investigamos o mesmo dado, examinando uma amostra de pacientes da UNICAMP, que foram submetidos a exames laboratoriais periódicos, durante o período de um ano. A freqüência de hematúria observada foi significativamente maior, ou seja, 22% (Gonçalves e Ramalho, 1990). Evidentemente, aquele autor havia computado apenas os casos de hematúria que haviam sido registrados nas fichas clínicas. A pergunta a ser feita é a seguinte: qual foi a contribuição ao conhecimento da anemia falciforme fornecida pela sua pesquisa?

A investigação realizada a partir dos registros das fichas clínicas é classificada como retrospectiva. Já o exame da amostra de pacientes caracteriza uma pesquisa prospectiva.

Em medicina, os estudos clínicos retrospectivos são os que mais freqüentemente apresentam falhas metodológicas, em decorrência da má qualidade dos registros médicos geralmente disponíveis em nosso país. A ausência de um dado na ficha clínica pode significar três coisas: ele está ausente no paciente, ele não foi investigado ou ele não foi registrado na ficha médica.

É importante enfatizar, no entanto, que nem todo trabalho retrospectivo não tem valor científico. Ele pode se valer, muitas vezes, de dados confiáveis de registro, gerando uma pesquisa de grande valor científico.

Algumas vezes a pesquisa não possui uma falha metodológica grosseira, de fácil constatação, como é o caso do exemplo anterior, mas sim um fator mais sutil, que levará a um erro de interpretação, chamado viés.

Um exemplo interessante de problema desse tipo foi a polêmica recente sobre os efeitos da reposição hormonal em mulheres que se tratam dos sintomas da menopausa, envolvendo dois importantes centros de pesquisa: o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e a Universidade de Harvard. Os resultados foram conflitantes, sobretudo no que diz respeito ao aumento de risco de doenças cardiovasculares, consideravelmente aumentado no estudo do Instituto Nacional de Saúde e diminuído no de Harvard.

Analisando a metodologia utilizada nos dois estudos, foram constatados fatores de viés em ambos, embora a pesquisa realizada em Harvard seja mais suscetível a críticas (Neiva, 2003).

Na pesquisa do Instituto Nacional, as pacientes foram divididas aleatoriamente em dois grupos, que receberam tratamentos diferentes (hormônio ou placebo), sem que elas ou os médicos soubessem a que grupo pertenciam. A supervisão ficou a cargo de terceiros, para que as conclusões não fossem influenciadas. Apesar desse modelo ser considerado o mais adequado (medicina baseada em evidências), ele apresentava três fatores de viés: 1) incluir um percentual alto (35%) de mulheres obesas, tanto no grupo que fez reposição hormonal, quanto no que tomou placebo. Esse fato pode ter distorcido os resultados, porque a gordura corporal eleva a produção de estrógeno natural. A soma desse com o hormônio reposto aumentaria ainda mais os riscos de câncer e doenças cardiovasculares; 2) só foi testado um tipo de reposição hormonal, com o medicamento Premelle; 3) quase 70% das mulheres tinham mais de 60 anos, faixa etária em que a incidência de tumores de mama e de problemas cardiovasculares é mais freqüente. Resultado da pesquisa: as mulheres em reposição hormonal apresentam um risco 100% maior de trombose, 41% mais elevado de derrame, 29% de aumento da probabilidade de infarto e 26% de câncer de mama.

Já o estudo de Harvard, por ser meramente observativo, utilizou uma metodologia mais questionável. As suas informações basearam-se em questionários respondidos bienalmente por mais de 120.000 enfermeiras, que observaram mulheres usuárias e não usuárias da reposição hormonal. Essa metodologia inclui vários fatores de erro, dentre os quais o chamado “viés da usuária saudável”: quem fez reposição hormonal nessa pesquisa, provavelmente tinha menos fatores de risco para doenças cardiovasculares e câncer de mama do que as que não o fizeram. Isso porque já era consenso entre os médicos da época não receitar hormônios para as mulheres obesas e hipertensas. Outro possível viés é o seguinte: ex-usuárias de terapia hormonal que tiveram problemas cardiovasculares e, por isso, interromperam a terapia, poderiam ter sido contabilizadas no grupo das não-usuárias. Resultado da pesquisa: as mulheres que se submeteram à reposição hormonal apenas com estrógenos ou com a combinação de estrógeno e progesterona apresentam 30% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

A conclusão é que um novo estudo, sem qualquer viés, torna-se necessário.

  1. Generalização dos resultados da pesquisa.

Dentro do possível e respeitados os devidos limites, os resultados de uma pesquisa devem ser passíveis de generalização. A amostra analisada deve ser representativa de um todo maior. Assim, por exemplo, uma amostra populacional deve representar a população da qual foi obtida.

Qual seria o valor científico de uma pesquisa cujos resultados só valessem para a amostra examinada?

Do exposto até aqui, é fácil concluir que a realização de uma pesquisa exige um grande estudo preliminar do assunto, um planejamento cuidadoso e a participação ativa de um orientador experiente. Tudo isso culmina com a redação de um projeto de pesquisa. No próximo ítem, de caráter mais prático, será abordada a elaboração de um projeto de pesquisa.

 

II.               A elaboração de um projeto de pesquisa.

Toda pesquisa exige a elaboração prévia de um projeto, que garanta o rigor do seu planejamento. Certos projetos, no entanto, também visam alcançar um propósito prático mais imediato, como a obtenção de uma bolsa de estudos, um auxílio de financiamento, uma vaga na pós-graduação, etc. Assim sendo, quem elabora um projeto de pesquisa deve ter em mente que ele será analisado e julgado por um ou mais especialistas. O primeiro requisito, evidentemente, será avaliar a qualidade da investigação proposta, de acordo com os critérios apresentados no ítem anterior. Além disso, no entanto, alguns outros aspectos também são importantes nesse julgamento, tais como:

  1. Clareza e objetividade do texto: Um projeto científico não é uma criação literária, cujo propósito seja demonstrar erudição ou devaneios científicos. O examinador não pode perder o seu tempo, ou até mesmo se confundir, com um texto extremamente prolixo e sem objetividade.
  2. Seja convincente: As informações colocadas no projeto devem convencer o examinador sobre a relevância da investigação proposta. A argumentação deve ser precisa, mas nunca exagerada. Os dados introdutórios, incluindo uma revisão bibliográfica, devem justificar o objetivo do projeto. Quem analisa um projeto, precisa decidir se a idéia proposta é interessante e viável. Ele não está interessado, nesse momento, em estudar detalhadamente um determinado assunto, quanto mais que geralmente ele já é um especialista na área. A “INTRODUÇÃO” de um projeto não deve ser a mesma, por exemplo, da de uma tese.
  3. Apresentação impecável: A redação deve ser correta do ponto de vista ortográfico, o estilo impessoal e a apresentação gráfica agradável, porém sóbria, como convém à produção científica.

Muitos alunos que se iniciam no campo da ciência confessam a sua dificuldade em elaborar um projeto de pesquisa. O papel em branco é um desafio e o problema é por onde começar.

O presente trabalho tem justamente a finalidade de demonstrar que a elaboração de um projeto não é tão difícil assim.

A pesquisa científica nada mais é do que o processo de busca pela resposta a uma pergunta. Assim, nada mais óbvio no processo de elaboração de um projeto do que estabelecer, antes de mais nada, uma pergunta bem definida. O escritor português José Saramago disse que “No mundo há respostas para tudo. O difícil é saber fazer as perguntas”. O primeiro passo na elaboração de um projeto é, portanto, redigir uma pergunta clara. Feita a pergunta, será fácil estabelecer o OBJETIVO do projeto.

O ponto central de um projeto é o seu objetivo e todos os outros itens são redigidos a partir dele. Assim, na INTRODUÇÂO são colocados os dados que levaram à formulação da pergunta e no MATERIAL E MÉTODOS (no caso de humanos é preferível falar em CASUÍSTICA E MÉTODOS) especifica-se como se pretende responder a pergunta. Esse critério ajuda a escolher com facilidade que informações devem fazer parte do projeto, esquematizando-se um pré-projeto.

É evidente que um projeto pode conter várias perguntas e vários objetivos. Mas é preferível uma pergunta bem respondida, do que várias perguntas mal respondidas. O excesso de objetivos nem sempre qualifica positivamente um projeto.

A título de exemplo, vamos esquematizar a elaboração do projeto de uma antiga pesquisa, que já foi mencionada anteriormente:

Pergunta: Qual é a freqüência da talassemia beta no Estado de São Paulo?

O que levou à formulação dessa pergunta: A talassemia beta é uma alteração genética muito freqüente na população italiana e o Estado de São Paulo recebeu, a partir da segunda metade do século XIX, um maciço contingente de imigrantes italianos. Apesar disso, a talassemia beta nunca foi investigada em uma população brasileira.

Como responder essa pergunta: Investigando laboratorialmente a talassemia beta em uma amostra da população paulista.

Informações que devem constar do projeto (esquematização prévia ou pré-projeto):

           I.     INTRODUÇÃO: explicar o que é a talassemia beta; discorrer sobre a freqüência da talassemia beta na Itália e em outros países mediterrâneos; discorrer sobre a imigração italiana para o Estado de São Paulo e outras regiões brasileiras; salientar que a freqüência da talassemia beta nunca foi investigada no Brasil.

          II.     OBJETIVO: Investigar a freqüência da talassemia beta em uma população paulista.

        III.     CASUÍSTICA E MÉTODOS: definir a amostra populacional (tipo de indivíduos, tamanho da amostra); definir os exames laboratoriais que serão realizados, após o seu consentimento, no sangue desses indivíduos; explicar como os resultados serão analisados (divisão da casuística em caucasóides, negróides e asiáticos, especificar a freqüência da talassemia nas subamostras de descendentes miscigenados e não miscigenados de italianos; calcular o percentual da colaboração italiana na população caucasóide paulista).

Com base nessa esquematização, tornou-se fácil desenvolver por extenso um projeto de pesquisa convincente, que foi facilmente aprovado em todas as comissões (UNICAMP, FAPESP, etc.).

O projeto de pesquisa possui outros ítens, além dos três já citados, como será especificado mais adiante. Antes de redigir o projeto propriamente dito deve-se:

  1. Realizar um levantamento bibliográfico extenso e atualizado. Hoje isso é fácil, através da Internet, indicações do Orientador, bibliotecas, etc. Fornecendo-se as palavras-chave, recebe-se a listagem dos artigos com os respectivos resumos. Os artigos selecionados devem ser lidos por inteiro. É interessante organizar um fichário eletrônico, no qual cada ficha contenha a referência bibliográfica e um resumo das informações mais interessantes do artigo. Nunca citar no projeto um artigo que não tenha sido lido.
  2. Verificar a viabilidade do projeto: acesso à casuística ou ao material, custos, tempo de execução, etc.
  3. Submeter o projeto à avaliação de um especialista em estatística. Este poderá dar orientações preciosas sobre o tamanho ideal da amostra, testes estatísticos a serem usados, etc.

Vamos a um exemplo: Um pesquisador quer investigar a freqüência populacional de uma alteração e tem indicações na literatura de que em populações semelhantes tal freqüência é da ordem de 3%. Qual seria o tamanho da amostra populacional que ele deve analisar?

Segundo Beiguelman (1991) o tamanho amostral irá depender da precisão da estimativa que o pesquisador determinar, e é calculado pela fórmula N = (1,96)2 x p x q /E2, onde q é a freqüência suposta da alteração, p = 1 – q e E (erro tolerado) = q x precisão da estimativa (em percentual).

Suponha-se que o pesquisador determine que a sua estimativa não deve ser superior, com a probabilidade de 95%, a 20% da freqüência real.

E = 0,03 x 0,2 = 0,006

N = (1.96)2 x 0,97 x 0,03 / (0,006)2 = 3.105 indivíduos.

Se o pesquisador for um pouco menos exigente e aceitar que a sua estimativa não deva ser superior, com a probabilidade de 95%, a 30% da freqüência real.

E = 0,03 x 0,3 = 0,009

N = (1,96)2 x 0,97 x 0,3 / (0,009)2 = 1.380 indivíduos.

Vê-se, portanto, que diminuindo tão pouco a precisão da sua estimativa, pode-se examinar menos da metade da amostragem anterior, economizando-se tempo, trabalho e dinheiro. Esses dados são essenciais para a viabilidade do projeto.

É muito importante discutir com o especialista em estatística a análise dos dados, pois pode haver um viés clínico que só o pesquisador pode perceber. Vide o exemplo da pesquisa sobre a reposição hormonal, citada no ítem anterior.

  1. Discutir os aspectos éticos do projeto.

Todo projeto deve conter uma discussão dos aspectos éticos envolvidos e especificar os cuidados que serão tomados, para que a Ética Médica não seja desrespeitada.

Qualquer projeto, mesmo que retrospectivo, deve ser submetido, antes da sua realização, ao Comitê de Ética da faculdade ou hospital onde será realizado.

Os projetos prospectivos que envolvem seres humanos deverão conter um termo de consentimento assinado pelo paciente ou responsável. Esse termo de consentimento deve ser redigido de forma clara, explicando para os pacientes a finalidade da pesquisa, os procedimentos a serem realizados (coleta de sangue ou outro material biológico, realização de exames, etc.), o destino do material (sobretudo DNA) excedente e a forma de divulgação dos resultados. Os indivíduos devem ser informados que a sua identidade será preservada e que eles não serão identificados através do nome (atualmente nem as iniciais do nome são usadas, mas apenas números), fotos, etc. No final, o paciente deve assumir expressamente que concorda em participar da pesquisa. O termo de consentimento deve ser assinado pelo paciente ou pelo seu responsável, pelo pesquisador e por duas testemunhas.

Conforme a natureza do projeto (como no caso dos projetos de Genética Humana e de Reprodução Humana, por exemplo), o Comitê de Ética local enviará o projeto à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Ministério da Saúde, em Brasília. Sem a aprovação da CONEP, a tese não poderá ser defendida ou a pesquisa publicada em periódico especializado.

Os projetos que envolvem animais de laboratório devem explicar os cuidados que serão tomados para evitar o sofrimento dos mesmos. Existe no Instituto de Biologia da UNICAMP um Comitê de Ética em Experimentação Animal (C.E.E.A.).

 

 

Considerações finais.

Do exposto, é possível concluir que um projeto de pesquisa deve conter:

  1. Título – deve-se escolher um título, se possível, curto e bastante esclarecedor dos propósitos da pesquisa.
  2. Tipo de pesquisa – iniciação científica, tese de mestrado, tese de doutorado, etc.
  3. Pesquisador responsável – com as suas qualificações acadêmicas, endereço para correspondência, etc.
  4. Orientador – com as suas qualificações acadêmicas, endereço, etc.
  5. Pesquisadores participantes – com as respectivas qualificações acadêmicas, endereços, etc.
  6. Local da realização da pesquisa.
  7. Resumo do projeto.
  8. Palavras-chave.
  9. Introdução.
  10. Objetivo.
  11. Material (ou Casuística) e Métodos.
  12. Viabilidade do projeto – incluindo, sempre que possível, um estudo-piloto, forma de financiamento, etc.
  13. Aspectos éticos – incluindo, se for o caso, o Termo de Consentimento.
  14. Cronograma de execução do projeto.
  15. Referências bibliográficas.

Leitura adicional.

O presente trabalho deve ser complementado pela leitura dos seguintes assuntos:

  1. Ética em Pesquisa – vide site do Comitê de Ética em Pesquisa da FCM – UNICAMP.
  2. Organização de referências bibliográficas – vide Biblioteca da FCM – UNICAMP.

 

Referências

Beiguelman, B., 1991. Curso Prático de Bioestatística. Ribeirão Preto, Editora da Revista Brasileira de Genética.

Freitas, E. M., 1980. Detecção de portadores do traço talassêmico em uma amostra de caucasóides de Porto Alegre, RS. Tese de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Gonçalves, M. S. e Ramalho, A. S., 1990. Frequency and glomerular or post-glomerular origin of hematuria in Brazilian patients with sickle cell syndromes. Revista Brasileira de Genética, 13: 841-848.

Minayo, M. C. e Sanches, O., 1993. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Cadernos de Saúde Pública, 9: 239-262.

Neiva, P., 2003. Seção Saúde – Depoimento de Fernandes, C. E., Presidente da Sociedade Brasileira de Climatério. Veja, 36 (18): 122-123.

Ramalho, A. S., 1976. Investigação genético-epidemiológica das talassemias beta e delta-beta no Estado de São Paulo. Revista Paulista de Medicina, 88: 68-72.

Sonati, M. F. e Costa, F. F., 1990. Hemoglobin Bart’s in a Brazilian Black population. Revista Brasileira de Pesquisa Médicas e Biológicas, 23: 395-396.

Sonati, M. F.; Farah, S. B.; Ramalho, A. S. e Costa, F. F., 1991. High prevalence of α-thalassemia in a Black population of Brazil. Hemoglobin, 15: 309-311.

Zago, M. A.; Costa, F. F. e Botura, C., 1981. Beta thalassemia in Brazil. Revista Brasileira de Pesquisas Médicas e Biológicas, 14: 383-390.